SÓ A VITÓRIA TOTAL INTERESSA A CHÁVEZ. OU ELE SERÁ DERROTADO
Só há um jeito de Hugo Chávez sair vitorioso da crise hondurenha: a reinstalação no poder do golpista Manuel Zelaya, a punição dos constitucionalistas (que a imprensa chama "golpistas") e o encaminhamento da reforma que gerou a crise. Sem esse conjunto, Chávez perde. Se o bandoleiro de Caracas e seu lacaio hondurenho não levarem todo o pacote, terão quebrado a cara.
Caso Zelaya voltasse e desistisse de sua reforma, o recado que Chávez tanto teme estaria sendo compreendido. E o que ele diz? Isto: "Se os bolivarianos da América Latina tentarem dar o já clássico golpe constitucional, o nosso negócio é apelar à Constituição e acionar todos os Poderes guardiães da democracia. Se falharem, entra em cena o povo de uniforme: os militares. São eles, em qualqujer país, a defesa última do regime democrático.
Se Chávez perder Honduras, que parece tão pequenina e irrelevante, o que entra em questão é o circo de horrores do bolivarianismo, que, então, terá enfrentado a sua primeira reação armada - e perdido! Por isso, Manuel Zelaya, que vinha falando em pacificação, voltou ontem a falar grosso. O chefe político mandou.
O presidente legalmente destituído de Honduras já se encontrava na Costa Rica nesta quarta. Está previsto um encontro, ainda não confirmado, entre ele e Roberto Micheletti, mediado pelo presidente costa-riquenho, Óscar Arias. Pois bem, leitor: numa situação como essa, qual seria a posição razoável de Zelaya? Ofender o interlocutor? Certamente não! Mas foi o que ele fez.
Antes da reunião, chamou o adversário (que, aliás, é do seu partido) de "gorila" e prometeu punições. Quer acordo? Quer diálogo? Não parece. Chávez, por meio de Zelaya, busca minar qualquer chance de entendimento.
Para que o tiranete de Caracas vença mais esta batalha, a vitória tem de ser total. Do contrário, forças políticas democráticas e os militares de outros países da região terão na pequena Honduras um exemplo do que fazer quando alguns bandoleiros tentarem, em nome da democracia, rasgar uma Constituição democrática. Chávez ronca e fuça como um porco do mato, mas está com medo. Ou ele anexa Honduras, ou Honduras ainda entra para a história como a primeira manifestação de sua derrocada.

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