Vejo lá e ponho aqui

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Erro é achar que “Lula”, o filme, foi feito para cinema

Quem sabe das coisas é Marcos Araújo, um paulistano de fala mansa e verdades na ponta da língua. Dono de mais de 80 cinemas na periferia da capital e no ABC paulista, olhou para onde soprava o vento e não quis saber de Lula, o filho do Brasil em suas telas. Acertou em cheio. Na terceira semana de carreira, fora do Nordeste contam-se nos dedos os lugares ocupados nas salas de projeção.

Mas erra feio quem carimba como fracasso a marca de 800 mil espectadores em relação aos cinco milhões que os produtores esperavam. Esse era o número de pagantes, de ingressos que sairiam das bilheterias. Lula, o filho… será visto por muito mais gente. Dez vezes isso, talvez. Até outubro, o filme cruzará o país exibido em telões nas praças, nos estádios, nos assentamentos, nas paróquias da pastoral operária. Não faltarão olhos para projeto tão importante a ponto de ser financiado com o dinheiro das estatais.

Aí, sim, …o filho do Brasil se revelará ao seu povo como a mais bem cunhada chapa branca do cinema brasileiro. Só não se verá a saga de Lula, nem a sua predestinação à presidência que, pelo menos no filme, não existem. Saga, sim, está lá com todas as cores a de dona Lindu (aliás, Gloria Pires insuperável), a heroína de verdade nessa história.

O que o filme renova a cada momento é a mulher como bálsamo das agruras terrenas. Marisa Letícia aplaude, incentiva, empurra para a frente um Lula às vezes contemplativo. Lindu é a mulher tenaz, que carrega os fracos nos ombros e abandona o opressor na lama. É a mãe que arranca Lula da profunda depressão que as mortes da primeira mulher e do filho o enfiaram e o devolve aos trilhos da vida. É isso que pula da tela.

A lição – repetida à exaustão – é que a clareza, a serenidade, a persistência, a solução e a força estão ao alcance da mãe (olha a mãe do PAC aí, leitor). Nisso, Lula, o filho do Brasil é um sucesso e cumprirá o projeto de ser assistido por milhões de brasileiros até a eleição. Ou não temos mais centrais sindicais e movimentos sociais para carregá-lo? Equívoco é achar que essa peça foi construída para ser vista nos cinemas.



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Falta espelho para o lulismo

O chefão das hordas ideológicas que tomaram de assalto as instituições, vulgo "filho do Brasil", chamou o presidente do PSDB de "babaca" por ter dito o que os melhores blogs já dizem há muito tempo: Dilma mente, mente e mente. É Dilmentirosa e Dilmaligna. Mentiu no passado, mente agora e fatalmente mentirá no futuro. Para essa gente, isto é coerência.
Babaca é o povo que votou no lulismo. E babaca persistirá se votar em Dilma.
Sem meias palavras. Nâo sou filho desse Brasil aí.
Para terminar, que ninguém pense que tenho a mínima simpatia por Guerra. Ele apenas disse o que a oposição deveria ter dito há muito tempo.


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El corralito

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Cada noche, en el cabaret de un lujoso hotel un empresario europeo va de mesa en mesa haciendo un insólito pedido. Se acerca a los comensales y les explica que cuando llegue la cuenta lo dejen pagar a él, con esos bonos de colores que trae en su bolsillo. A cambio, ellos le darán el importe en pesos convertibles, que después podrá trasmutar en dólares o euros para llevárselos bien lejos. Este hombre es una víctima del corralito financiero que impide a numerosos inversionistas foráneos sacar sus ganancias del territorio nacional. Para que no se desesperen del todo, las autoridades cubanas les permiten consumir a lo largo de la Isla, pagando con papelitos carentes de valor real.

El drama de los fondos congelados toca hoy a numerosos negociantes que se aprestaron a entrar en nuestro escenario económico con la aprobación de la ley de inversiones extranjeras en 1995. Disfrutaban del privilegio de gestionar una firma, condición totalmente vedada a los que hemos nacido aquí. Venían a ser la nueva clase empresarial en un país donde la Ofensiva Revolucionaria de 1968 había confiscado hasta los sillones de los limpiabotas. La cuantiosa plusvalía que lograban sacar los convertía en un objetivo muy atractivo para las jineteras, las casas de alquiler y los miembros de la seguridad del estado. A muchos de ellos se les veía en los restaurantes más caros eligiendo apetitosos manjares y acompañados de mujeres muy jóvenes. Otros, los menos, entregaban regalos adicionales a sus empleados para compensar los bajos salarios en pesos cubanos que les pagaba la empresa empleadora del estado.

Estos representantes de una "avanzada corporativa" estaban dispuestos a perder un poco de capital siempre y cuando pudieran ubicarse –desde ya– en el escenario que algún día sería como un pastel cortado en cuñas. Sin embargo, quienes firmaron contratos y compartieron con ellos  el champán, después de un acuerdo, los consideraban sólo un mal necesario y provisional, una desviación que se erradicaría no bien hubiera terminado el Período Especial. Después de tantas garantías prometidas, hace unos meses les han enseñado las arcas vacías, mientras les repiten "no podemos pagarles". De pronto, estos empresarios han comenzado a sentir la impotencia y el grito –trabado en mitad de la garganta– con que cargamos cada día los cubanos. Todavía, sin embargo, no están tan desprotegidos como nosotros ante la depredación del Estado: un pasaporte de otro lugar les permite irse en un avión y olvidarse de todo.



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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Técnica indolor com jatos de plasma pode substituir broca de dentista

BBC Brasil
Atualizado em  21 de janeiro, 2010 - 11:47 (Brasília) 13:47 GMT

Cientistas alemães apresentaram uma nova tecnologia de tratamento dentário a base de jatos de plasma, que, segundo eles, cortará significativamente a dor e o desconforto causados pelos tratamentos convencionais com broca.

O estudo, realizado pela Universidade de Saarland e relatados na revista especializada Journal of Medical Microbiology, descobriu que o plasma destruiu as bactérias em dentes infectados.

Stefan Rupf, que liderou o estudo, afirmou que a baixa temperatura do plasma matou os micróbios e preservou o dente.

"A broca é uma experiência que gera muito desconforto e, em algumas vezes, dor. Por outro lado, o plasma frio é um método completamente sem contato (com o dente) que é muito eficaz", afirmou.

"Atualmente há muito progresso no campo da medicina com uso de plasma e o tratamento clínico para cavidades dentais pode ser esperado para dentro de três a cinco anos."

Normalmente, a broca do dentista é usada para limpar a bactéria alojada em uma cavidade no dente, uma cárie, antes do dentista preencher a cavidade.

A equipe de pesquisadores da Universidade Saarland usou o jato de plasma com o mesmo propósito e constatou que o novo procedimento é capaz de fazer a limpeza de forma rápida e eficaz, mesmo quando a bactéria estava alojada na dentina, a principal parte do dente, abaixo do esmalte.

Luzes fluorescentes

A matéria pode se apresentar em vários estados: sólido, líquido, gasoso e um quarto estado, plasma, que é na verdade o estado mais comum no Universo.

Existem muitas formas naturais de plasma, na matéria que forma o Sol e nos raios que caem durante tempestades, e o uso de plasma artificial é bastante comum na tecnologia moderna, por exemplo em luzes fluorescentes e na fabricação de semicondutores.

O plasma artificial pode ser criado quando se adiciona energia a um gás, usando um campo elétrico ou laser. A matéria resultante pode se comportar de forma diferente quando entra em contato com outras partículas.

Muitos plasmas artificiais podem ser extremamente quentes. Mas o progresso alcançado nos últimos anos permitiu a criação do plasma frio.

Com isso, os cientistas conseguiram desenvolver técnicas que permitem o uso deste plasma para tratar áreas minúsculas específicas no corpo humano. O jato de plasma é capaz de atingir e eliminar bactérias sem afetar o tecido ao redor.

O professor Bill Graham, físico da Universidade Queen's, de Belfast, afirmou que a medicina com uso de plasma tem o potencial para atingir alvos minúsculos, talvez até uma única célula.

Graham afirma que "bisturis de plasma" já estão sendo usados na medicina esportiva e também há interesse no uso deste instrumento em pacientes com queimaduras.

"Obviamente, assim como com qualquer outro tratamento, precisamos verificar se pode ser usado com segurança, mas não há provas no momento de que existam problemas", afirmou.



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Totó emburrado.

O totozinho emburrado desapareceu. Vem cá, totozinho, vem cá. Ciro Gomes (PSB-ex-CE, atual SP) sumiu do noticiário. Hoje o irmão, aquele que é governador do Ceará que bota jatinho do governo pra levar a sogra para o exterior, avisou que ele está tirando trinta dias de merecidas férias. Não é em Santos. Nem em Caraguá. Nem mesmo em Franca, cidades paulistas. Tampouco em Cabrobó, Serrinha ou Garanhuns, cidades bem brasileiras. É nas "europas", não é podre de chique? Ciro Gomes faltou a praticamente todas as sessões da Câmara em 2009, onde, muitos não sabem, ele é deputado federal pelo Ceará. Se fosse para descansar, seria do excesso de vagabundagem. Na verdade, está emburradinho, o totó do Lula. Daqui a pouco volta de rabinho abanando para morder a canela do Serra e lamber os pés do Lula, fazendo o que ele quiser. Vem, totozinho, senta, pula, não morde!


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Tome, Dilmentirosa!

Nota oficial do presidente do PSDB, Sérgio Guerra, sobre Dilmentirosa, que andou dizendo que o Bolsa Família será extinto se os tucanos vencerem as eleiçoes. A nota saiu em vários blogs, mas vale reforçar aqui também. Que a oposição cumpra seu papel é o que todos esperamos. E chega de a ministra fazer campanha sem se licenciar. Acorde, TSE! Chega de letargia.

Dilma Rousseff mente. Mentiu no passado sobre seu currículo e mente hoje sobre seus adversários. Usa a mentira como método. Aposta na desinformação do povo e abusa da boa fé do cidadão.

Mente sobre o PAC, mente sobre sua função. Não é gerente de um programa de governo e, sim, de uma embalagem publicitária que amarra no mesmo pacote obras municipais, estaduais, federais e privadas.

Mente ao somar todos os recursos investidos por todas essas instâncias e apresentá-los como se fossem resultado da ação do governo federal. Apropria-se do que não é seu e vangloria-se do que não faz.

Dissimulada, Dilma Rousseff assegurou à Dra. Ruth Cardoso que não tinha feito um dossiê sobre ela. Mentira! Um mês antes, em jantar com 30 empresários, informara que fazia, sim, um dossiê contra Ruth Cardoso.

Durante anos, mentiu sobre seu currículo. Apresentava-se como mestre e doutora pela Unicamp. Nunca foi nem uma coisa nem outra. Além de mentir, Dilma Rousseff omite. Esconde que, em 32 meses, apenas 10% das obras listadas no PAC foram concluídas - a maioria tocada por estados e municípios. Cerca de 62% dessa lista fantasiosa do PAC - 7.715 projetos- ainda não saíram do papel.

Outra característica de Dilma Rousseff é transferir responsabilidades. A culpa do desempenho medíocre é sempre dos outros: ora o bode expiatório da incompetência gerencial são as exigências ambientais, ora a fiscalização do Tribunal de Contas da União, ora o bagre da Amazônia, ora a perereca do Rio Grande do Sul.

Assume a obra alheia que dá certo e esconde sua autoria no que dá errado. Dilma Rousseff se escondeu durante 21 horas após o apagão. Quando falou, a ex-ministra de Minas e Energia, chefe do PAC, promovida a gerente do governo, não sabia o que dizer, além de culpar a chuva e de explicar que blecaute não é apagão.

Até hoje, Dilma Rousseff também se recusou a falar sobre o Plano Nacional de Direitos Humanos, com todas as barbaridades incluídas nesse Decreto, que compromete a liberdade de imprensa, persegue as religiões, criminaliza quem é contra o aborto e liquida o direito de propriedade. Um programa do qual ela teve a responsabilidade final, na condição de ministra-chefe da Casa Civil.

Está claro, portanto, que mentir, omitir, esconder-se, dissimular e transferir responsabilidades são a base do discurso de Dilma Rousseff. Mas, ao contrário do que ela pensa, o Brasil não é um país de bobos.

Senador Sérgio Guerra
Presidente Nacional do PSDB
Brasília, 20 janeiro de 2010


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domingo, 17 de janeiro de 2010

Crepe suzette

14/01
12:46hs

Aprenda a preparar uma versão deste clássico francês

iG São Paulo

Conta a história que o crepe suzette teria sido criado pelas mãos de um maître chamado Henri Charpentier, enquanto este servia o príncipe de Gales. A enciclopédia Larousse da Cozinha do Mundo, no capítulo França, resume assim a invenção: "A calda incendiou-se ao contato com o réchaud. O príncipe achou a receita deliciosa e Charpentier perguntou se poderia nomeá-la em homenagem a ele. Mas o príncipe, voltando-se para a jovem senhora que o acompanhava, respondeu: 'chame de crepe suzette'".

Ingredientes
1 ¼ xícara (chá) de leite
2 ovos
1 colher (sopa) de manteiga derretida
1 colher (sopa) de licor de laranja
1 ½ xícara (chá) de farinha de trigo peneirada
1 colher (café) de sal
Óleo para untar

Calda
cara (chá) de margarina
½ xícara (chá) de açúcar
½ xícara (chá) de suco de laranja
1 colher (sopa) de suco de limão
2 colheres (sopa) de licor de laranja
¼ xícara (chá) de conhaque

Modo de preparo
Coloque no liquidificador o leite, os ovos, a margarina, o licor de laranja, a farinha de trigo e o sal. Bata até misturar os ingredientes. Despeje em uma tigela, cubra com uma tampa e deixe descansar por 40 minutos. Passado este tempo, pincele um pouco de óleo em uma frigideira e aqueça-a. Coloque uma concha da massa do crepe na frigideira de forma que fique uma camada fina. Frite até a borda ficar levemente dourada. Vire-a e doure a outra parte. Repita a operação até que a massa termine. m seguida, dobre cada crepe em quatro partes, formando um triângulo. Reserve.

Prepare a calda em uma panela grande. Leve ao fogo brando a margarina, o açúcar, o suco de laranja e de limão e mexa até derreter. Junte o licor de laranja e os crepes. Cozinhe por 3 minutos e vire de lado. Despeje o conhaque, acenda a mistura com um fósforo e deixe flambar.

Rendimento: 10 porções
Tempo de preparo: 1h20

A fábrica do yakisoba

17/01/2010

Abre amanhã em São Paulo o Yakisoba Factory, proposta de comida oriental rápida, diferente da onda de temakerias que dominou a cidade. O projeto é do Kiko Hwang, proprietário e chef de cozinha do Restaurante Natural & Tasty, nos Jardins, focado em comida saudável e que agora parte para um iniciativa mais pop. E bacana!

Fui na sexta-feira conhecer o lugar. Quando soube da idéia, achei tão legal e com a cara do blog! Fui entrando no meio dos operários e sentei numa das mesas recém posicionadas para conversar com o chef. A decoração é despojada e o espaço pequeno mas gostoso. Nas paredes, fotos de amigos e da família do chef.

A proposta é de um 'fast yakisoba', mas com alguns diferenciais. A massa é assada antes de servir, ficando crocante por fora e tenra por dentro. Do jeito que eu gosto! Sempre peço para fritarem um pouco a massa nos restaurantes. E você pode pedir desde uma meia porção vegetariana por R$ 11 (R$ 16 a porção inteira) até uma porção com carne inteira por por R$ 18 (meia porção por R$ 12).

E há outras opções interessantes. O Caramel Chicken Soba (R$ 21) vem com peito de frango empanado e molho agridoce. Já o Scampi Soba (R$ 26) vem com 5 camarões empanados sobre o macarrão crocante com molho cremoso de limão, vinho branco, tomates e manjericão. Yakisoba gourmet!

Kiko sempre apreciou pratos similares do Wagamama e Chesecake Factory; sorte a nossa podermos contar agora com esses pratos por aqui e com preços locais, pois a proposta é de servir comida a preço justo.

Para começar, há ainda Guiozas (2 unid. por R$ 4,25) ou Harumakis de kani com shimeji por R$ 3,50. De sobremesa, nada como um Frozen yougurt de chá verde por R$ 3,50. Preciso falar mais? Abre amanhã, apenas no almoço!

Yakisoba Factory
Rua Gomes de Carvalho, 1086 - Vila Olímpia – São Paulo
Tel: (11) 2366-1474
Horário: Somente almoço - Segunda a Sábado, das 11h30 às 15h30

O filme de terror da esquerda.

Clique na imagem para ampliar. E relembre o que Dilma e os seus coleguinhas de governo fizeram na clandestinidade. O quadro foi publicado pela Veja, na edição desta semana.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

A qualidade não interessa

Por Ernesto Pichler*

Não sou um especialista em qualidade. Talvez seja um especialista em falta de qualidade. Como pesquisador do Laboratório de Embalagem e Acondicionamento do IPT, onde fiquei até aposentar, era a falta da qualidade das embalagens o que eu analisava, vendo o que deu errado nos testes e buscando correções. Hoje, como perito trabalhando com a segurança no transporte de cargas, também focalizo as falhas, o que deu errado e até resultou em acidentes, para um trabalho de prevenção de riscos.

Muitos especialistas em qualidade ficam tão vidrados no assunto que passam a ver tudo sob a óptica da qualidade. Trabalham com definições muito abrangentes, como “qualidade é a satisfação do cliente”, que são tão vagas como confusas, por abranger aspectos técnicos, econômicos e até psicológicos, numa completa falta de foco. Eu prefiro ver a coisa mais dicotomizada. Não que essa seja a maneira certa de ver, pois não há maneira certa. É a forma mais proveitosa de se ver, em termos de clareza dos conceitos e consequências: uma coisa é qualidade, outra coisa é custo. Misturar as coisas dá confusão. Há especialistas em qualidade e especialistas em análise de custos. Um especialista em tudo acaba se perdendo, não é especialista em nada.

Agora acho que posso explicar o título, mais que provocador: o que interessa não é a qualidade mas a relação qualidade / custo. De fato, não interessa ter uma qualidade excelente mas a um custo que ninguém paga. A dicotomização permite ver o conjunto dessa forma, em seus componentes.

Precisaria agora definir os conceitos básicos: o que é qualidade? O que é custo? Como não sou um especialista em qualidade, ainda menos em custos, vou ficar apenas no básico. A definição que interessa é a que for rica em coerências, interna e externa, e em consequências. A definição de qualidade que melhor tem essas características é aquela com que trabalhei no IPT: qualidade é a conformidade a especificações. Essa definição já tem uma consequência enriquecedora: qualidade é a conformidade a especificações, desde que as especificações tenham qualidade. Para escaparmos da aparente tautologia, temos, agora, que definir a qualidade de uma especificação. A especificação é uma norma técnica que estabelece os requisitos para aceitação de um produto ou serviço e estabelece os métodos para verificação (testes) ou avaliação (ensaios) da conformidade. Os requisitos têm que ter qualidade: não podem ser excessivos a ponto de aumentar o custo desnecessariamente; não podem ser frouxos a ponto de admitir qualquer coisa. Têm que exigir o que realmente interessa, que tenha relação com o desempenho esperado, ou o comportamento esperado, do produto ou serviço. Também os testes (qualitativos, tipo “passa-não passa”) e os ensaios (quantitativos, dando um resultado numérico) devem ter metodologias racionais. Devem ser correspondentes à realidade, ser reprodutivos (um mesmo produto, com o mesmo método, deve dar o mesmo resultado nas repetições do teste ou ensaio), ser reprodutíveis (mesmo resultado por diferentes operadores), devem ser sensíveis (produtos diferentes dão resultados diferentes). Devem ser simples e de baixo custo visando, ou o controle da qualidade de desenvolvimento (podendo ser mais complexo e caro, pois é esporádico), ou o controle da qualidade do produto em produção ou acabado (que é um controle constante, portanto não pode ser caro). Supõe-se, nestas definições, um grande grau de razoabilidade. Espera-se que a razoabilidade seja consequência de um consenso entre técnicos com bons conhecimentos, que participam da elaboração da norma técnica. Esse é o grande problema: há grandes comitês de “experts” internacionais que produzem monstruosidades, como as Normas da ONU para transporte de produtos perigosos, que são normas perigosas, que não devem ser seguidas (mas isso é tema para outro artigo). Há comitês, na ABNT por exemplo, que visam proteger interesses de determinadas empresas, e dane-se o consumidor e/ou o ecoambiente. Então, a qualidade da norma depende da qualidade da normalização, que é um processo político.

O conceito de qualidade se complica (ainda mais) se procurarmos a chamada “qualidade total”. A qualidade total só pode ser entendida como a qualidade de vida da população – alvo, o que se estende para a qualidade ecoambiental. Daí aparecerem até selos que garantem a “qualidade social” de um produto, significando que foi produzido com exploração dos trabalhadores dentro de limites admissíveis (por quem?). Atesta-se a “qualidade ambiental” de produtos, não se sabe como, pois não há normas gerais. Mesmo em Kopenhagen não se chegou a um consenso.

Enfim, a “qualidade total” ainda é uma grande enrolação, geralmente para fins de “marketing”. Temos, então, o problema da qualidade como aparência. Sabemos que “na guerra e na publicidade, a primeira vítima é a verdade”.

A qualidade como aparência é cultuada por “designers” e modistas apenas interessados em fazer aparecer, ainda que enganosamente, os produtos nas vitrinas e fotos. Tive uma caixa acústica da Philips em que os alto-falantes pareciam fixados ao painel por parafusos allen cromados, mas na realidade eram presos por pequenos parafusos atarraxados na madeira, escondidos, enquanto os parafusos vistosos eram apenas uma folha de plástico moldada. A propaganda enganosa (e o “design” como propaganda) faz parte da cultura criada pela burguesia como um alto negócio. Está associada a um estímulo ao consumismo acrítico e irracional. Pode ser uma qualidade altamente nociva para a sociedade e para o eco-ambiente. Lembro-me do caso da gasolina com chumbo-tetra-etila, um antidetonante para controlar a octanagem, que continuou a ser propagandeada e vendida (como uma inocente “Ethyl Gas”) mesmo quando a indústria petroquímica já sabia tratar-se de produto altamente tóxico para o sistema nervoso humano. Lembro-me da tentativa das petroquímicas brasileiras de proibir o uso de sacos plásticos pretos para lixo, usando para isso a ABNT, pois esses sacos são feitos com material reciclado e a reciclagem, para esses capitalistas, é interessante só no discurso.

O controle da qualidade

Há um controle empresarial da qualidade e um controle social da qualidade.

O controle empresarial é o domínio da burguesia, principalmente nas empresas privadas. Os patrões buscam envolver os trabalhadores nesse processo, fazê-los “responsáveis”, como forma de exercer, na realidade, um controle sobre a qualidade do trabalhador. É certo que o trabalhador tem que ter qualidade, mas a qualidade do trabalhador que interessa ao mesmo não é aquela que interessa ao patrão. O patrão não quer um trabalhador crítico, reivindicativo, mobilizador, grevista. A boa qualidade do trabalhador é a submissão, a obediência, a capacidade de “levar a mensagem a Garcia”, como está em um folheto idiota distribuído pela FIESP. São poderosas as técnicas de manipulação, de cooptação, de alienação, usadas pela burguesia contra o trabalhador, com auxílio de psicólogos profissionais.

Existe um âmbito maior de controle empresarial da qualidade que se dá em associações, como a ABNT. Esse é um nível de controle que poderia extrapolar, ocasionalmente, o interesse puramente burguês e atender algum interesse social e eco-ambiental, mas a estrutura da ABNT foi alterada para dar todo o poder às empresas, com a omissão do poder público. Foi-se o tempo em que o INMETRO controlava a produção das normas técnicas no Brasil, pois agora os tempos são “neo-liberais”, abaixo o Estado! Esse âmbito poderia ser intermediário entre o controle empresarial e o controle social da qualidade.

O controle social da qualidade se dá, principalmente, pelo mercado. É, com certeza, um mau controle, pois o consumidor é extremamente controlado pela propaganda burguesa e pela criação de uma cultura consumista, ostentatória, perdulária, desorientada. Mesmo a força maior do mercado, que seria a competição, é dirigida por acordos mais ou menos tácitos entre as empresas capitalistas.

Um outro controle social seria o institucional. Criam-se, por exemplo, as agências controladoras, como a Food and Drug Administration, a Environmental Protection Agency, a ANATEL, a ANAC, etc. Trata-se, via de regra, de agências de controle controladas pelos controlados.

Se as definições relativas à qualidade são complexas, às vezes difíceis de compreender (ao menos para mim, que não sou um especialista em qualidade), a coisa se torna ainda mais complexa se formos definir custos. Em princípio, estamos trabalhando com custos econômicos, que são mais ou menos equacionáveis, mas nem tanto quanto os custos contábeis. No entanto, é importante analisarmos os custos sociais e ecoambientais, num conceito de “custo total” paralelo ao da “qualidade total”. Mas isso fica para um outro artigo.

* O autor desta matéria, Erneste Pichler, é engenheiro naval e engenheiro de embalagens com mestrado na Michigan State University, School of Packaging. Trabalhou no IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo) onde foi responsável pela área de tecnologia de embalagem e acondicionamento logístico. Atualmente atua como perito em prevenção de risco para seguradoras (e segurados).

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